O que é IA no futebol?
IA no futebol é o uso de sistemas inteligentes para analisar dados do jogo, reconhecer padrões, gerar previsões, automatizar avaliações e apoiar decisões de clubes, seleções, árbitros, atletas e torcedores.
Na prática, isso pode envolver várias tecnologias:
- Visão computacional para rastrear jogadores, bola e movimentos;
- Machine learning para identificar padrões de desempenho;
- Modelos preditivos para estimar probabilidades de resultado;
- IA generativa para consultar dados e gerar relatórios;
- Sensores em bolas, coletes e dispositivos de monitoramento;
- Sistemas de análise tática em tempo real;
- Plataformas de scouting para avaliar atletas em escala;
- Ferramentas de vídeo para revisar lances e apoiar a arbitragem.
O futebol sempre foi um esporte de dados. Gols, assistências, finalizações, posse de bola, passes certos e desarmes já eram registrados há décadas. A diferença é que agora a IA permite analisar dados mais complexos: movimentação sem bola, posicionamento defensivo, pressão após perda, tomada de decisão, padrões de ataque, risco de lesão e comportamento coletivo.
Essa mudança transforma o futebol em três níveis: o jogo em campo, a gestão dos clubes e a experiência do torcedor.
IA no VAR: como a tecnologia ajuda a arbitragem
Quando se fala em IA no futebol, muita gente pensa primeiro no VAR. Mas é importante separar as coisas: o VAR não é uma inteligência artificial que decide sozinha. Ele é um sistema de suporte à arbitragem, usado para revisar lances específicos e corrigir erros claros. A IA entra como apoio em partes do processo, principalmente quando o lance envolve detecção, rastreamento e reconstrução visual. O melhor exemplo é o impedimento semiautomatizado.
Nesse tipo de sistema, câmeras instaladas no estádio rastreiam pontos do corpo dos jogadores e acompanham a posição da bola. A tecnologia ajuda a calcular a linha de impedimento com mais precisão e rapidez, reduzindo o trabalho manual de traçar linhas em cada lance.
A bola conectada também entra nesse processo. Mesmo assim, a decisão final continua passando pela arbitragem. A tecnologia ajuda a gerar evidências, mas não elimina a interpretação humana em todos os casos. Lances objetivos, como posição de impedimento, são mais fáceis de automatizar. Lances subjetivos, como intensidade de contato, mão na bola, falta ou cartão, ainda dependem de julgamento.
A tendência é que a IA reduza o tempo de análise em lances objetivos. O desafio é evitar que o futebol vire um jogo paralisado por revisões excessivas. A tecnologia precisa corrigir erros sem tirar o ritmo da partida.
Bola inteligente e impedimento semiautomatizado
A bola inteligente é uma das tecnologias mais importantes na nova fase da arbitragem. Ela possui sensores internos que enviam dados em alta frequência. Esses dados ajudam a identificar o momento do toque na bola, o que melhora a análise de impedimentos e outros lances dependentes de tempo exato.
Valor Econômico
Com essas informações, a IA consegue reconstruir o momento da jogada e gerar uma visualização para árbitros e torcedores. Isso permite explicar melhor por que determinado jogador estava em posição legal ou irregular.
A grande mudança não está apenas na precisão, está na transparência. Quando a transmissão mostra uma recriação 3D do lance, o público consegue entender melhor uma decisão que antes parecia invisível.
Ainda assim, existe um limite. A tecnologia pode indicar onde cada jogador estava e quando o passe aconteceu, mas ela não resolve sozinha todas as discussões de arbitragem. Impedimento interfere no jogo? O jogador participa da jogada? Houve falta antes do passe? Essas perguntas continuam exigindo interpretação do juiz em campo.
Referee View e avatares 3D: a Copa pela visão da tecnologia
A Copa do Mundo de 2026 marca uma nova fase na experiência do torcedor. Uma das tecnologias previstas é o Referee View, recurso que usa câmera corporal no árbitro para mostrar determinados momentos a partir da visão de quem está em campo. A ideia é aproximar o público da tomada de decisão e oferecer novos ângulos para a transmissão.
Para esse tipo de recurso funcionar em uma partida ao vivo, o processamento precisa ser rápido. Por isso, parte da tecnologia roda dentro dos próprios estádios, em estruturas de edge computing. Em vez de enviar tudo para servidores distantes, os dados são processados perto de onde são gerados. Isso reduz latência e permite estabilizar imagens em tempo real.
Outra tecnologia em destaque são os avatares 3D dos jogadores. Eles ajudam a recriar lances complexos, principalmente impedimentos, com representações digitais dos atletas. Esses modelos permitem mostrar ao público o posicionamento do corpo no momento da jogada.
Esse tipo de visualização muda a forma como o torcedor entende a arbitragem. Em vez de depender apenas de um replay tradicional, a transmissão pode apresentar uma reconstrução mais clara do lance.
Football AI Pro: a IA da FIFA para análise tática
A Copa de 2026 também terá o Football AI Pro, uma ferramenta de IA desenvolvida para apoiar as 48 seleções participantes.
A proposta é permitir que comissões técnicas, analistas e profissionais de desempenho consultem dados de partidas com mais facilidade. Em vez de depender apenas de planilhas, relatórios manuais ou softwares complexos, a ferramenta funciona como um assistente de conhecimento voltado para futebol.
Na prática, uma comissão técnica pode usar esse tipo de ferramenta para investigar padrões como:
- Como o adversário pressiona a saída de bola;
- Em quais zonas do campo o time perde mais a posse;
- Quais jogadores participam mais da construção ofensiva;
- Onde surgem os espaços defensivos;
- Como a equipe reage após perder a bola;
- Quais combinações de jogadores geram mais chances;
- Como o adversário se comporta em bolas paradas.
Como a IA ajuda na análise tática
A IA ajuda na análise tática porque transforma o vídeo de uma partida em dados estruturados. Em vez de depender apenas de observação visual, o jogo passa a ser convertido em coordenadas, trajetórias, zonas de ocupação, relações entre jogadores e padrões de comportamento coletivo.
O processo começa com visão computacional. Primeiro, um modelo detecta os elementos principais do vídeo: jogadores, árbitro, bola e linhas do campo. Em seguida, um algoritmo de rastreamento mantém cada jogador identificado ao longo dos frames, mesmo quando ele muda de posição, cruza com outros atletas ou sai momentaneamente do enquadramento.
Depois disso, entra uma etapa técnica importante: a homografia. Ela permite transformar a imagem da câmera, que está em perspectiva, em um mapa 2D do campo. Com isso, as posições dos jogadores deixam de ser apenas pontos em um vídeo e passam a representar coordenadas reais dentro do gramado.
É essa conversão que permite medir aspectos táticos com mais precisão, como:
- Distância entre linhas;
- Largura e profundidade da equipe;
- Ocupação de zonas do campo;
- Espaços entre lateral, zagueiro e volante;
- Velocidade de recomposição defensiva;
- Movimentação sem bola;
- Outros.
Na prática, a IA decompõe a partida em milhares de pontos rastreados ao longo do tempo. A partir desses dados, fica possível enxergar padrões que passariam despercebidos em uma análise apenas visual.
Por exemplo: ao rastrear os 22 jogadores em cada frame, a IA consegue identificar se um time está defendendo em bloco baixo, médio ou alto. Também consegue medir se a linha defensiva está compacta, se existe espaço entre os setores ou se um lado do campo está sendo mais explorado pelo adversário.
Outra aplicação é calcular áreas de influência usando diagramas de Voronoi. Nesse tipo de análise, o campo é dividido em regiões controladas por cada jogador, de acordo com sua posição. Isso ajuda a entender quem domina cada zona do gramado, onde há espaço livre e quais jogadores têm mais possibilidade de receber a bola com vantagem.
É aqui que o Python entra como motor do pipeline.
Em um projeto real, Python pode ser usado para ler o vídeo com OpenCV, rodar modelos de detecção como YOLO, aplicar rastreamento com ByteTrack, calcular a homografia do campo, manipular matrizes de coordenadas e gerar visualizações com Plotly, Matplotlib ou bibliotecas próprias de análise esportiva.
Quando os dados de tracking são combinados com dados de eventos, como passes, chutes, desarmes e conduções, a análise fica ainda mais rica. Modelos de machine learning podem estimar métricas como xG, que mede a probabilidade de um chute virar gol, e xT, que mede quanto uma ação aumenta a ameaça ofensiva de uma equipe.
O papel da comissão é interpretar esses dados dentro do contexto do jogo: modelo tático, fase da competição, condição física dos atletas, estratégia do adversário e características individuais dos jogadores.o torneio, condição física, emocional do grupo, estilo do adversário e características individuais dos jogadores.
IA para encontrar novos talentos no futebol
Durante décadas, revelar um jogador dependia de uma rede limitada de observadores. O atleta precisava estar no campeonato certo, no clube certo, diante do olheiro certo. Isso deixava muitos jovens fora do radar, principalmente em regiões distantes dos grandes centros.
A reportagem exibida pelo Globo Repórter mostrou um aplicativo desenvolvido no México que usa inteligência artificial para analisar partidas e identificar talentos. A tecnologia já está presente em 43 países e funciona como uma espécie de “olheiro digital”, capaz de gerar relatórios detalhados sobre o desempenho dos atletas.
O sistema processa imagens captadas durante partidas e entrega aos treinadores informações sobre o comportamento de cada jogador. Segundo o desenvolvedor Rafael Sánchez, a plataforma dá aos treinadores relatórios específicos sobre “comportamento em campo” e “desenvolvimento de cada jovem”.
Entre os dados avaliados estão:
- Pé dominante;
- Eficiência nos dribles;
- Desempenho em finalizações;
- Chutes dentro da área;
- Comportamento em campo;
- Evolução do atleta ao longo do tempo.
Durante a demonstração, Sánchez mostrou como o sistema conseguia detalhar rapidamente o perfil de um jogador: “Ele é destro. Chutes dentro da área. No drible também é top”.
Esse tipo de ferramenta muda o primeiro filtro do scouting. Em vez de depender apenas da presença física de um olheiro, clubes e treinadores podem receber relatórios de atletas que talvez nunca fossem observados.
A fala de Sánchez resume a proposta: “Os talentos estão aí, por toda parte, nas favelas do Brasil, nos bairros mexicanos”.
A IA não substitui o scout. Ela amplia o alcance do scout. O sistema pode apontar quais atletas merecem uma avaliação mais próxima. Depois disso, entram fatores que os dados não capturam por completo: personalidade, disciplina, adaptação, maturidade emocional, comportamento em grupo e evolução em ambiente competitivo.
A IA pode descobrir o próximo Pelé?
Encontrar um novo Pelé é quase impossível. Estamos falando de um talento que talvez apareça uma vez a cada várias gerações. Desde Pelé, o futebol brasileiro revelou craques enormes, como Neymar, Vini Jr. e agora Endrick, ainda muito jovem. Mas ninguém repetiu a combinação de precocidade, números, impacto histórico e três Copas do Mundo conquistadas.
Pelé não foi grande só porque fazia muitos gols. Ele acumulou números e conquistas que continuam fora da curva: marcou mais de 760 gols em partidas oficiais por clubes e seleção, fez 12 gols em Copas do Mundo e conquistou três títulos mundiais pelo Brasil, em 1958, 1962 e 1970. O mais impressionante é que parte dessa história começou muito cedo: aos 17 anos, ele já decidia uma Copa do Mundo.
Por isso, quando alguém pergunta se a IA pode descobrir “o próximo Pelé”, a resposta precisa ser cuidadosa.
A IA pode acelerar a descoberta de talentos escondidos. Ela consegue analisar vídeos em escala, comparar métricas, identificar padrões de desempenho e destacar jogadores que estão fora dos grandes centros. Isso aumenta a chance de revelar atletas que talvez nunca fossem observados por um olheiro tradicional.
Mas nenhum modelo consegue garantir que um jovem será o próximo Pelé.
O futebol não é apenas um conjunto de métricas. Um craque depende de técnica, criatividade, inteligência de jogo, ambiente, saúde, oportunidades, treinadores, estrutura familiar, maturidade emocional e tomada de decisão sob pressão. A IA pode identificar sinais promissores, mas não consegue prever toda a trajetória de um atleta.
O que se pode esperar dessa tecnologia é que ela analise uma quantidade enorme de dados de forma rápida e precisa, reduzindo a margem de erro na avaliação do potencial de um jogador. Diferente do olhar humano, que pode ser influenciado por impressões momentâneas ou limitações de tempo.
Enquanto um olheiro pode levar anos para acompanhar diferentes jogadores e ainda assim não conseguir ver todos, a IA consegue avaliar milhares de atletas simultaneamente, comparando métricas e identificando padrões que indicam talento real. Isso não elimina a necessidade do desenvolvimento humano, mas torna o processo de descoberta muito mais rápido, amplo e eficiente, aumentando as chances de encontrar um novo grande nome no futebol.
IA nos bolões da Copa
Com a Copa do Mundo, a IA também virou ferramenta para bolões e previsões. Muita gente usa ChatGPT, Claude, Grok ou modelos específicos para pedir palpites. Outros sistemas usam rankings Elo, histórico de confrontos, desempenho recente, gols esperados, simulações de torneio e modelos probabilísticos.
Um modelo pode dizer que uma seleção tem 60% de chance de vencer ou fazer possíveis previsões de resultados dos próximos jogos. Isso não significa que ela vai vencer. Significa que, em muitos cenários simulados, aquele resultado apareceu com maior frequência.
No futebol, o acaso pesa. Um cartão vermelho, uma lesão, uma falha do goleiro, um desvio na bola ou uma decisão de arbitragem podem mudar tudo. Modelos mais com mais parâmetros tratam previsão como probabilidade. Um estudo recente sobre previsão da Copa de 2026, por exemplo, usa histórico de ratings Elo, regressão de Poisson e comparação com modelos como regressão logística, ARIMA, redes neurais, gradient boosting e ensemble. A ideia não é cravar placares, mas estimar distribuições de resultado.
A IA tem sido usada em bolões porque organiza informações que o torcedor levaria horas para consultar: força do elenco, momento das seleções, histórico recente, desempenho ofensivo, solidez defensiva e probabilidade de avanço, mas ela não elimina a incerteza. E é justamente essa incerteza que faz o futebol continuar sendo futebol.
Os limites da IA no futebol
O primeiro limite é a qualidade dos dados. Um modelo ruim, treinado com dados incompletos ou enviesados, gera análises ruins. No futebol de base, isso pesa ainda mais, porque muitos jogadores não têm dados consistentes.
O segundo limite é o contexto. A IA pode dizer que um jogador finaliza bem, mas talvez não entenda que ele joga em um time fraco, em campo ruim ou sem suporte tático. Pode medir velocidade, mas não captar liderança. Pode analisar passe, mas não entender a pressão emocional de uma final.
O terceiro limite é a interpretação. Dados não tomam decisão sozinhos. Eles precisam ser lidos por profissionais que entendem o jogo.
O quarto limite é o acesso. Clubes ricos tendem a ter mais estrutura, mais câmeras, mais analistas e mais dados. Se a tecnologia não for democratizada, a IA pode ampliar a distância entre clubes grandes e pequenos.
O quinto limite é ético. O uso de dados de jovens atletas exige cuidado com privacidade, consentimento, exposição e decisões automatizadas que podem afetar carreiras.
A IA melhora o futebol quando aumenta a qualidade da decisão. Ela piora o processo quando vira atalho para decisões sem responsabilidade.
Como aprender a criar agentes de IA na prática
A IA no futebol mostra como sistemas inteligentes já conseguem analisar dados, interpretar contexto e apoiar decisões. Essa mesma lógica aparece em agentes de IA: ferramentas capazes de usar informações, executar tarefas e se conectar a sistemas externos.
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É o caminho para sair do uso básico do ChatGPT e começar a desenvolver agentes que trabalham com você na prática.
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Comentários
30xpOlha que legal! Estava pesquisando exatamente isso como coletar dados públicos ou pagos para Análise tática dos times e principalmente no Brasil.
Ponto importante que observei não tem contratação ou uma empresa Brasileira para dedicado a isso e focar em times Brasileiros ou Seleção. O que parece está entrando nessa linha é o Flamengo.
Um dos pioneiros foi o Liverpool que montou um mega time incluindo físicos para tal. Nada acontece da noite para o dia. Mas vejo potencial quem entrar nesse ramo no Brasil. Pesquisando mais a fundo e interessei em criar algo do tipo com dados do brasil ou mesmo até da seleção como um todo.